sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

LITERATURA - ESCOLAS LITERÁRIAS

ESCOLAS LITERÁRIAS

QUINHENTISMO


Foi o primeiro movimento literário no Brasil. Em relação aos demais, sua importância é um tanto quanto menos expressiva na literatura, por não apresentar nenhum escritor brasileiro; ou, ainda, nenhum "escritor". Apesar disso, muitos dos maiores vestibulares do país pedem que seus vestibulandos tenham conhecimento desta matéria. Além disso, serve também como conhecimento geral para aqueles que gostam do assunto. O movimento iniciou-se com o "início" do Brasil (sim, eu sei. O Brasil existia antes do descobrimento, mas para a literatura, assim como para muitas outras coisas, sua história começa quando os portugueses chegam ao país). Seu fim foi marcado pela publicação de Prosopopeia, de Bento Teixeira, que já tinha algumas tendências barrocas.
O Descobrimento das Américas marca, antes de mais nada, a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. A Europa vive o auge do Renascimento, o capitalismo mercantil toma o lugar dos feudos, e o êxodo rural provoca o início da urbanização. Houve também, neste período, uma crise na Igreja: o novo grupo dos protestantes contra o grupo dos fiéis católicos (estes últimos no movimento da Contra-Reforma). Durante a maioria deste período, o Brasil era colonizado por Portugal. Os documentos eram escritos por jesuítas e colonizadores portugueses; o primeiro autor brasileiro apareceria, mais tarde, somente no movimento barroco, Gregório de Matos. 

BARROCO

- O Barroco representa todas as formas de arte cultivadas neste período, como a música, a pintura, a arquitetura, e a literatura. Apesar deste movimento contar com o primeiro autor brasileiro em nossa literatura, sua influência é quase totalmente portuguesa e espanhola, deixando pouco espaço para o Brasil. O movimento iniciou-se em 1601, com a publicação de Prosopopéia, de Bento Teixeira. O final deste movimento dá-se em 1724, com a obra Obras, de Cláudio Manuel da Costa, e com a fundação da Arcádia Ultramarina, que será comentada no Arcadismo.
O início do século XVI foi para Portugal o momento mais áureo de sua história até hoje; assim como os últimos foram os mais negros. Por uma lado o descobrimento do Brasil iria tornar Portugal o país mais rico do mundo. Mas em contraste, logo foi observado a crise do comércio português.
Suas colônias não produziram como era esperado. Além disso, em 1578, desaparece o rei Dom Sebastião em campanha pela África. Dois anos depois Filipe II, rei da Espanha, anexa Portugal a seu país, ato que durou quarenta anos. No Brasil, o período Barroco ficou marcado em especial pelas invasões holandesas e pelo declínio da venda da cana-de-açúcar, este segundo em consequência do primeiro. 

ARCADISMO

- Este período, também conhecido como Neoclassicismo (o Classissismo foi um movimento europeu que ocorreu antes de o Brasil ter sido descoberto. Seu principal autor foi Luís Vaz de Camões), iniciou-se em 1768, com a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa. Foi também o ano da fundação da Arcadia Ultramarina. Durou até 1836, quando foi publicado Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães. Este período foi, essencialmente, uma reação à religiosidade barroca. Sua influência é toda francesa, com seus movimentos iluministas que iriam estourar a Revolução Francesa.
Socialmente, este movimento marcou a acensão da burguesia em fatores políticos e sociais, tanto no Brasil como na Europa. Em 1748, Montesquieu escreve e publica O espírito das Leis, obra na qual apresenta o governo em poder legislativo, executivo, e judiciário; como é feito hoje em vários países, como o Brasil. Voltaire e Rousseau colaboraram também neste sentido, defendendo a burguesia e a república. Todos esses autores foram responsáveis pelo início do Iluminismo, um dos ideais árcades. Foi também neste período que iniciou-se a independência dos países americanos, começando pelos Estados Unidos, em 1776. No Brasil, o centro comercial deixa o Nordeste e se instala principalmente em Minas Gerais. Ocorre também a Inconfidência Mineira, principal fato histórico brasileiro da época. Alguns dos autores deste período fizeram até parte deste movimento revolucionário. 

ROMANTISMO

- O Romantismo foi um movimento com origem inglesa e alemã, sendo contra o Arcadismo. Este estilo inicia-se em 1836, com a publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães. Foi portanto um movimento que ocorreu logo após a Independência do Brasil, e, por alguns autores, por causa desta independência. Logo após a independência, os brasileiros precisavam buscar sua importância na situação econômica, política, social e cultural (daí a literatura). O ano tradicional do desfecho romântico é o de 1881, com duas publicações: O mulato e Memórias póstumas de Brás Cubas, ambas com tendências naturalistas/realistas.

Neste período ocorreu pelo mundo duas importantes revoluções: a Revolução Francesa, e a Revolução Americana. Essas foram revoltas do povo, da burguesia; assim como o Romantismo, que, com o Realismo - A principal influência para este movimento no Brasil veio da Alemanha, representada pelo evolucionismo e pelo positivismo. O movimento começou em 1881, ano em que foi publicado O mulato, de Aluísio Azevedo, e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. O fim deste período literário apresenta certa controvérsia; tradicionalmente finalizamos este movimento com o início do simbolismo, 1893. Apesar disso, pode-se dizer que este não foi realmente o fim do realismo.
Basta lembrar a data de publicação de Dom Casmurro, ainda com perfeitas características realistas: 1900. Ou a fundação da Academia Brasileira de Letras, casa do realismo: 1897. Portanto pode-se dizer que o realismo durou, como o Simbolismo, o Parnasianismo e o Pré-Modernismo, até 1922, ano em que ocorreu a semana da arte moderna. Nesse período a Revolução Industrial, na Europa, entra na fase da utilização do aço, do petróleo e da eletricidade, enquanto o avanço científico realiza novas descobertas e invenções no campo da Física e da Química.
      Surge então grandes complexos industriais, nos quais              vários empregados trabalham diariamente em condições          sub-humanas, correndo sempre risco de vida a graves          acidentes. No Brasil, este período é marcado pelas           campanhas abolicionistas, a Lei Áurea, a substituição  da mão de obra escrava pela mão de obra assalariada,    a Guerra do Paraguai, e a monarquia decadente de   D.      PedroII forme um historiador, foi "da burguesia, pela       burguesia, e para a burguesia". No Brasil, este               movimento surgiu alguns anos após a Independência do         Brasil, no governo autoritário de D. Pedro I, no            Período Regencial, e no governo de D. Pedro II.

PARNASIANISMO

- O movimento parnasiano surgiu na França em 1866, com a edição da antologia “La Parnase Contemporain". Abrigando poetas de tendências diversas, como Théopgille Gauthier, Laconte de Lísia, Charles Baudelaire, Geradia, Banvilla, havia, em comum a oposição ao sentimentalismo romântico.
A denominação Parnasianismo remete-nos à antiguidade grecoromana(Monte Parnaso= região da Fócida , na Grécia, que a Mitologia contemplava como a morada dos deuses e poetas, ali isolados do mundo para dedicarem-se exclusivamente à arte).
Isso sugere a aproximação às fibtes e ais udeaus ck;assucis da arte.( o Belo , o Bem, a Verdade , a Perfeição , o equilíbrio a disciplina e o rigor formal, a obediência às regras e modelos , a arte como imitação da natureza - a Mimese arestotélica, a razão, o antropocentrismo) São frequentes as alegorias fundadas na Mitologia e na História da Grécia e de Roma. "O Sonho de Marco Antônio" , "A Seste de Beri", "O treiunfo de Afrondite" "O Incêndio de Roma" "A tentação de Xenôcrates" "O Julgamento de Frinéia" . "Delencia Cartago" todos de Olavo Bilac, "O vaso Grego” e "A volta da Galera" de Alberti de Oliveira.
Antecedentes Brasileiros - Em 1878 desfere-se pelas páginas do 'Diário do Rio de Janeiro a "Batalha do Parnaso” polêmica em versos agressivos (e de má qualidade)
, entre os defensores de "Idéia Nova" e os epígonos do Romantismo.
Influenciados pela Questão Coimbrã, e pelas obras dos poetas realistas portugueses: Teófilo Braga - "Visão dos Tempos" e "Antero de Quental" - "Odes Modernas", os arautos da "Idéia Nova" combariam os "Abreus e Varelas" Opondo-se ao sentimentalismo piegas e à frouxidão dos versos dos últimos românticos, e propunham algumas atitudes:
1) a poesia participante, que pregasse a justiça, a república fraternal, o progresso científico e material atacando, algumas vezes de forma desabrida , as instituições, é o caso de Lúcio de Mendonça, Martins Júnior e Silvio Romero.
2 ) a poesia "realista" . com abandono dos eufernismos relativos ao amor, por uma descrição mais direta do corpo e dos desejos e , ainda, a poesia realista urbana e agreste: seguem nessa direção: Carvalho Júnior, Bernardino Lopes e Teófilo Dias.
Cabe observar que os sonhos de justiça e a república fraternal já haviam encontrado em Castro Alves, no último romantismo, uma expressão muito mais talentosa, convincente e eloquente.
2.3 Costuma-se considerar como o primeiro livro parnasiano, no sentido próprio, as " Fanfarras", de Teófilo Dias. O Parnasianismo, tal como hoje o concebermos, só se definiria com Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que constituiram a Trindade Parnasiana, e realizaram suas obras sob os princípios d a "arte pela arte" da impassibilidade e da perfeição formal, ainda que tivessem , todos eles, estreado com versos românticos.
Características
A arte pela Arte.
O Esteticismo
Sintetizada na forma latina "ars gratia artis"(arte pela arte) , a poesia parnasiana propõe que a a beleza formal justifica a existência do poema , e que a arte não deve Ter outros compromissos senão para com o belo, para com a perfeição formal.
Negando a poesia realista filosófico-científica e socialista de seus precursores, os parnasianos impõem uma atitude de distanciamento do cotidiano de alienação dos problemas do mundo, de desprezo pela plebe e pelas aspirações populares e de recusa aos temas vulgares.
Assim os parnasianos se fecham em suas torres de marfim, entregues ao puro fazer poético:
"Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Doo claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima , e lima , e sofre, e sua!"
("A um Poeta - Bilac)

SIMBOLISMO

O Simbolismo teve início no ano de 1893, e manteve suas influências sobre autores até a Semana da Arte Moderna. Este movimento, apesar de não ser uma manifestação realista, como o Parnasianismo, manteve-se paralela a este o tempo todo. Em 1893, foram publicados Missal e Broquéis, ambos de Cruz e Sousa. Este período foi marcado pela I Guerra Mundial (1914-1918)e pela Revolução Russa. Houve também a unificação da Alemanha (1870) e da Itália (1871) momentos antes do início do movimento.
A Europa inteira passa por um processo de industrialização, aumentando a disputa por mercado. Este é o início do neocolonialismo. Este pensamento materialista de produção, com pouca preocupação com o bem-estar dos trabalhadores urbanos, gera críticas dos simbolistas. O Brasil não apresentou nenhum grande acontecimento durante esta época, apesar de haver várias revoltas no sul do país, onde o movimento foi mais acentuado. Duas delas se destacam:
A Revolução Federalista (1893-1895)e a Revolta da Armada (1893-1894). A primeira foi uma revolta de oposição ao governo de Floriano Peixoto, que gerou muitas mortes no sul do país. A outra foi quando a marinha brasileira ancorou seus navios no litoral carioca, e apontou seus canhões para o palácio do governo, exigindo sua renúncia. Estes acontecimentos levam à desilusão, a descrença na vontade de viver, que são visões simbolistas. Isto fez com que as idéias filosóficas se desviassem do materialismo para o simbolismo. Pré Modernismo - O termo Pré-Modernismo foi criado por Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Ataíde) para designar o período cultural brasileiro que vai do princípio deste século à Semana de Arte Moderna, ou como quer a cronologia literária, de 1902, ano da publicação de Canaã, de Graça Aranha e de Os Sertões, de Euclides da Cunha, até 1922, ano da realização da Semana de Arte Moderna.
Corresponde à "belle époque" brasileira, marcada pela concomitância de diversas correntes, às vezes opostas: o parnasianismo residual ( Raimundo Correia, Bilac, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho ainda estavam vivos e escreviam) ; o neo -parnasianismo de Amadeu Amaral e Martins Fontes e a prosa tradicionalista de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e Coelho Neto ; o Simbolismo , que não logrou penetração nas elites cultas da época e nem nas camadas populares; o realismo-naturalismo, transfundido na prosa regionalista de Afonso Arinos, Simões Lopes Neto, Valdomiro Silveira e Hugo de Carvalho Ramos; e a literatura problematizadora da realidade brasileira que é mais característicamente Pré-Modernista - Euclides da Cunha , Lima Barreto, Coelho Neto e Graça Aranha.
Assim esquematizando, no período que vamos estudar, convivem tendências conservadoras e renovadoras.
O aspecto conservador está diretamente ligado à sobrevivência da mentalidade positivista, agnóstica e liberal que se expressava no estilo realista-naturalista não penetrou, senão superficialmente, no espírito das classes cultas. Otto Maria Carpeaux deixa claro que " Aqui e só aqui fracassou o Simbolismo; e por isso , o movimento poético precedente sobreviveu, quando já estava extinto em toda parte do mundo".
O aspecto renovador está na incorporação, do ponto de vista do conteúdo, de aspectos da realidade brasileira, refletindo situações históricas novas, ou só a partir de então consideradas:
·   ·   a miséria e o subdesenvolvimento nordestino, em Euclídes da Cunha;
·   ·   a vida urbana e as transformações do inicio do século ( as greves, o futebol, o arranha -céu, o jogo do bicho, os pingentes da Estrada de Ferro Central do Brasil, o subúrbio carioca), em Lima Barreto;
·   ·   a miséria do caboclo do Vale do Paraíba, a decadência da ci;tira cafeeira, o anacronismo das práticas agrícolas, em Monteiro Lobato, e
·   ·   a imigração alemã no Espírito Santo, em Graça Aranha.
Assim, pode-se dizer que o aspecto conservador (o PRÉ) localiza-se mais no código, na linguagem que, com algumas poucas ousadias, continuou fiel aos modelos realistas e naturalistas (Aluísio Azevedo, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Flaubert, Emile Zola, Balsac); ressuscitando até o barroco do Padre Antônio Vieira, perceptível em Rui Barbosa, e Euclides da Cunha.
O aspecto renovador (o MODERNISMO) está centrado na preocupação com a realidade nacional; no regionalismo crítico e vigoroso e na crítica às instituições arcaicas da República Velha. Algumas dessas características serão retomadas, especialmente na 2ª Geração modernista.
Esta época, no que tange à literatura oficial, acadêmica, reflete o gosto da classe dominante, expressando-se de firna oedabte e artificial, pouco inovadora. Este aspecto de "estagnação" é batizado como a época dos "NEOS”: neoparsianismo, neo-simbolismo, e até neoclássicos e neo-românticos reabilitaram-se no gosto literário de então.

MODERNISMO

Este período é conhecido pelo caráter revolucinário, criticando cruelmente parnasianos, e simbolistas. A literatura procura se expressar de forma livre, espontânea, fugindo de todas as normas possíveis, ao contrário do parnasianismo. Sua origem é, como sempre, européia. A busca pelo moderno e inovador é a principal marca deste período.
O período inicia-se com a Semana da Arte Moderna, em fevereiro de 1922, e vai até 1945, fim da ditadura de Getúlio Vargas e da II Guerra Mundial. Este movimento é dividido em dois períodos: 1922-1930, e 1930-1945. 

O CONTEXTO HISTÓRICO

Vale observar que diversidade regional fez com que a manifestações políticas e sociais da época expressassem níveis de consciência muito distintos, não raro parecento exprimir tensões meramente locais. Alguns acontecimentos que configuram este quadro:
A. A.NO NORDESTE
·   ·   a Revolução de Canudos (BA - 1896 - 1897), retratada por Euclídes da Cunha;
·   ·   o fenômeno do cangaço, decorrente do declínio da economia dos engenhos;
·   ·   o fanatismo religioso desencadeado pelo “Padim Ciço", que tem por apicentro o Ceará, entre 1911 a 1915.
A. A. NO RIO DE JANEIRO
·   ·   A revolta contra a vacina obrigatória (Oswaldo Cruz), 1904, expressiva da insatisfação das massas urbanas;
·   ·   A revolta da Chibata (1910) liderada por João Cândido, “O Almirante Negro". Os marinheiros amotinados exigiam a extinção dos castigos corporais na Marinha.
A. A. EM SANTA CATARINA
PÓS MODERNISMO

O Pós-Modernismo é o movimento em que nos encontramos hoje. Na verdade, tudo que foi produzido após o Modernismo é considerado trabalho pós-modernista. Talvez no futuro este período seja redividido em vários períodos. Até que seja, o Pós-Modernismo apresenta duas fases. A primeira fase corresponde a uma fase mais "séria e equilibrada", como diz José de Nicola, do que as tendências modernistas, especialmente na poesia. A prosa vive um momento semelhante à prosa modernista.

NA SEGUNDA FASE surgem duas tendências na poesia: a poesia concreta e a poesia-máxis; veremos estas tendências mais tarde. Com o final da II Guerra Mundial e o bombardeamento norte-americano ao Japão, começa a era da Guerra Fria. Constrói-se o Muro de Berlin, a OTAN, a COMECON, etc... A queda do muro marcou o final da Guerra Fria.

·   ·   A Guerra do Contestado (1912 -1916) envolvendo posseiros da região contestada entre Santa Catarina e Paraná, às margens do rio do Peixe.
Cabe ainda acrescentar a Campanha Civilista, a queda da Amazônia durante o ciclo da borracha, seguida de fulminante queda.

                                                                                  PROF. JAMIL - 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

LITERATURA

                                      QUINHENTISMO NO BRASIL

            O Quinhentismo, fase da literatura brasileira do século XVI, tem este nome pelo fato das manifestações literárias se iniciarem no ano de 1.500, época da colonização portuguesa no Brasil. A literatura brasileira, na verdade, ainda não tinha sua identidade, a qual foi sendo formada sob a influência da literatura portuguesa e européia em geral. Logo, não havia produção literária ligada diretamente ao povo brasileiro, mas sim obras no Brasil que davam significação aos europeus. No entanto, com o passar dos anos, as literaturas informativa e dos jesuítas, foi dando lugar a denotações da visão dos artistas brasileiros.
            Na época da colonização brasileira, a Europa vivia seu apogeu no Renascimento, o comércio se despontava, enquanto o êxodo rural provocava um surto de urbanização. Enquanto o homem europeu se dividia entre a conquista material e a espiritual (Contra-reformas), o cidadão brasileiro encontrava no Quinhentismo semelhante dicotomia: a literatura informativa, que se voltava para assuntos de natureza material (ouro, prata, ferro, madeira) feita através de cartas dos viajantes ou dos cronistas e a literatura dos jesuítas, que tentavam inserir a catequese.
            A carta de Pero Vaz de Caminha traz a referida dicotomia claramente expressa, pois valoriza as conquistas e aventuras marítimas (literatura informativa) ao mesmo tempo que a expansão do cristianismo (literatura jesuíta). A literatura dos jesuítas tinha como objetivo principal o da catequese. Este trabalho de catequizar norteou as produções literárias na poesia de devoção e no teatro inspirado nas passagens bíblicas.
            José de Anchieta é o principal autor jesuíta da época do Quinhentismo, viveu entre os índios, pelos quais era chamado de piahy, que significa “supremo pajé branco”. Foi o autor da primeira gramática do tupi-guarani e também de várias poesias de devoção.


CONTEXTO HISTÓRICO
            Depois de 1500, o Brasil ficou praticamente isolado da política colonialista portuguesa. Nenhuma riqueza se oferecia aqui às necessidades mercantilistas da época. Só depois de 30 anos da descoberta é que a exploração começou a ser feita de forma sistemática e assim mesmo, de maneira bastante lenta e gradativa.
            O primeiro produto que atraiu a atenção dos portugueses para a nova terra foi o pau-brasil, uma madeira da qual se extraia uma tinta vermelha que tinha razoável mercado na Europa. Para sua exploração, não movimentaram grande volume de capital, cuidado que a monarquia lusitana, sempre em estado de falência, precisava tomar. Nada de vilas ou cidades, apenas algumas fortificações precárias, para proteção da costa. Esse quadro sofreria modificações profundas ao longo do século XVI.
            Sem o estabelecimento de uma vida social mais ou menos organizada, a vida cultural sofreria de escassez e descontinuidade. A crítica literária costuma periodiza o início da história da literatura brasileira com o Barroso, em 1601. Como se vê, já no século XVII. Assim, uma pergunta se impõe: o que aconteceu no Brasil entre 1500 e 1600, no âmbito da arte literária.
            Esse período, denominado de "Quinhentismo”, apesar de não ter apresentado nenhum estilo literário articulado e desenvolvido, mostrou algumas manifestações que merecem consideração. Podemos destacar duas tendências literárias dentro do Quinhentismo brasileiro: a Literatura de Informação e a Literatura dos Jesuítas.
            Quinhentismo corresponde à época do descobrimento do Brasil. É um movimento paralelo ao Classicismo português e possui idéias relacionadas ao Renascimento. A literatura do Quinhentismo tem como tema central os próprios objetivos da expansão marítima: a conquista material e a conquista espiritual. Possui uma linguagem simples e muitos adjetivos.

                                      A LITERATURA DE INFORMAÇÃO
            Durante o século XVI, sobretudo a partir da 2ª Metade, as terras então recém-descobertas despertaram muito interesse nos europeus. Entre os comerciantes e militares, havia aqueles que vinham para conhecer e dar notícias sobre essas novas terras, como o escrivão Pero Vaz de Caminha, que acompanhou a expedição de Pedro Álvares Cabral, em 1500.
            Os textos produzidos eram, de modo geral, ufanistas, exagerando as qualidades da terra, as possibilidades de negócios e a facilidade de enriquecimento. Alguns mais realistas deixavam transparecer as enormes dificuldades locais, como locomoção, transporte, comunicação e orientação.
            O envolvimento emocional dos autores com os aspectos sociais e humanos da nova terra era praticamente nulo. E nem podia ser diferente, uma vez que esses autores não tinham qualquer conhecimento sobre a cultura dos povos silvícolas. Parece ser inclusive exagerado considerar tais textos como produções literárias, mas a tradição crítica consagrou assim.
            Seguem alguns trechos da famosa Carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao Rei D. Manuel de Portugal, por ocasião da descoberta do Brasil
            "E neste dia, à hora de véspera, houvemos vista de terra, isto é principalmente d'um grande monte, mui alto e redondo, e d'outras serras mais baixas a sul dele de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à Terra de Vera Cruz.
            A feição deles é serem pardos, maneira d'avermelhados, de bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto.
            Os outros dois, que o capitão teve nas naus, a quem deu o que já dito é, nunca aqui mais apareceram, de que tiro ser gente bestial e de pouco saber e por isso assim esquivo. Eles, porém, com tudo, andam muito bem  curados e muito limpos e naquilo me aprece ainda mais que são como aves ou alimárias monteses que lhes faz o ar melhor pena e melhor cabelo que às mansas, porque os corpos seus são tão limpos e tão gordos e tão formosos, que não pode mais ser. E isto me fez presumir que não têm casas em moradas em que se acolham. E o ar, a que se criam, os faz tais.
                                   A LITERATURA DOS JESUÍTAS
            A título de catequizar o "gentio” e, mais tarde, a serviço da Contra-Reforma Católica, os jesuítas logo cedo se fizeram presentes em terras brasileiras. Marcaram essa presença não só pelo trabalho de aculturação indígena, mas também através da produção literária, constituída de poesias de fundamentação religiosa, intelectualmente despojadas, simples no vocabulário fácil e ingênuo.
            Também através do teatro, catequizador e por isso mesmo pedagógico, os jesuítas realizaram seu trabalho. As peças, escritas em medida velha, mesclam dogmas católicos com usos indígenas para que , gradativamente , verdades cristãs fossem sendo inseridas e assimiladas pelos índios . O autor mais importante dessa atividade é o Padre José de Anchieta. Além de autor dramático, foi também poeta e pesquisador da cultura indígena, chegando a escrever um dicionário da língua tupi-guarani.
            Em suas peças, Anchieta explorava o tema religioso, quase sempre opondo os demônios indígenas, que colocavam as aldeias em perigo, aos santos católicos, que vinham salvá-las. Vejamos um trecho de uma de suas peças mais conhecidas, o Autor de São Lourenço.
            Durante o século XVI a literatura portuguesa se espelhava nos clássicos: Virgílio, Homero; no Brasil não haviam sequer muitas pessoas que soubessem ler. A maioria das obras escritas no Brasil na época não foram feitas por brasileiros, mas sobre o Brasil por visitantes. Elas são chamadas Literatura de Informação. Apenas dois autores da época podem ser considerados autores brasileiros: Bento Teixeira, o primeiro poeta do Brasil, e José de Anchieta, iniciador do teatro brasileiro.
                                   Pero Vaz de Caminha
            Pero Vaz de Caminha (1450? -1500) era o escrivão da esquadra de Pedro Álvares Cabral e o autor da "certidão de nascimento" do Brasil. Em 1499 Caminha foi nomeado escrivão da feitoria que Cabral fundaria nas Índias. Quando Cabral chegou "acidentalmente" no Brasil, foi Caminha que escreveu ao rei de Portugal relatando a "descoberta". Do Brasil Caminha partiu para a Índia, onde morreu no final do mesmo ano nas lutas entre portugueses e muçulmanos. A Carta de Caminha ficou inédita por cerca de 300 anos, mas quando foi publicada, em 1817, ajudou a esclarecer várias questões sobre o descobrimento.
            "Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!” Carta de Caminha.       
a) Os jesuítas instalados no Brasil eram agentes da Contra-Reforma. Por isso, a atividade principal dos padres era o trabalho de catequese.

b) Num trecho da Carta de Caminha, o autor solicita ao rei que envie gente para a terra recém-descoberta:
“Não deixe logo de vir clérigo para o batizar...”

c) Os jesuítas contribuíram para a destribalização dos indígenas, tentando incutir-lhes uma educação européia.

d) Pondo em primeiro plano a intenção pedagógica e moralizante, os textos que produziram têm caráter mais didático que artístico.

e) Nesta linha didática, está o Pe. Manuel da Nóbrega, com o seu Dialogo sobre a Conversão dos Gentios.

f) Em todo o século XVI, só uma figura transpôs a linha do meramente informativo e didático para incluir-se no plano artístico-literário: padre José de Anchieta.

            Nasceu no Porto, Portugal, por volta de 1437, de família burguesa.

            Escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, dirigiu a Dom Manuel, o Venturoso, no dia primeiro de maio de 1500, a Carta de Acha mento do Brasil. Estaria, nessa época, com uns cinqüenta anos, pois já tinha netos.

            Faleceu a 16 de dezembro de 1500, em combate na Índia, assassinado pelos mouros.

            Sua Carta possui valor histórico, mas tem também um certo nível literário.

            “Caminha resume em poucas palavras todo o cabedal espiritual e material desta gente (os índios), com uma penetração maravilhosa”. (Capistrano de Abreu)

             “Graças ao raro talento de observação, de que era dotado, graças, sobretudo à fácil ingenuidade do seu estilo, o Brasil teve um historiador no próprio dia do seu nascimento”. (Ferdinand Denis)
                                                                                                          
                                   Pero de Magalhães Gândavo                                                    
            Pero de Magalhães Gândavo (? - 1576?) foi um cronista que escreveu dois livros sobre o Brasil, sendo sua obra uma das melhores da Literatura de Informação. Professor de Latim, amigo de Camões (a quem dedicou uma de suas obras) e gramático, viveu algum tempo no Brasil e sobre o país escreveu Tratado da Terra do Brasil e História da Província Santa Cruz. Neles descreve a Geografia e a História das capitanias que visitou.
            "Quezera escrever mais miudamente das particularidades desta província do Brasil, mas porque satisfizesse a todos com brevidade guardei-me de ser comprido; posto que os louvores da terra pedissem outro livro mais copioso e de maior volume, onde se compreendessem por extenso as excelências e diversidades das cousas que ha nella pera remédio e proveito dos homens que la forem viver." Tratado da Terra do Brasil.
            "A causa principal que me obrigou a lançar mão da presente historia, e sair com ella a luz, foi por não haver atégora pessoa quea emprendesse, havendo já setenta e tantos annos que esta Provincia he descoberta. A qual historia creio que mais esteve sepultada em tanto silencio, pelo pouco caso que os portuguezes fizerão sempre da mesma provincia, que por faltarem na terra pessoas de engenho, e curiosas que per melhor estillo, e mais copiosamente que eu a escrevessem." História da Província Santa Cruz.
                                     Bento Teixeira
            Bento Teixeira (1560-1618) escreveu a primeira obra de literatura brasileira: Prosopopeia, inspirada em Os Lusíadas, quando tinha apenas 20 anos. Apesar de natural de Portugal, pode ser considerado um escritor brasileiro por que se mudou para cá ainda criança e escreveu no Brasil sobre o Brasil e para brasileiros.
                                      José de Anchieta
            O padre José de Anchieta (1534-1597) foi uma das grandes figuras do primeiro século de história do Brasil. Nascido nas Ilhas Canárias, domínio espanhol, tinha parentesco com Inácio de Loiola. De saúde frágil e dedicado aos estudos, Anchieta tornou-se jesuítas aos 17 anos de idade e naquele mesmo ano partiu para o Brasil. No Brasil Anchieta criou o teatro brasileiro: autos para a catequese dos índios. Também fez poesia em latim e escreveu tratados sobre o Brasil.
"Teme a Deus, juiz tremendo,
que em má hora te socorra,
em Jesus tão só vivendo,
pois deu sua vida morrendo
para que tua morte morra." Auto de São Lourenço
(Fonte: Profª. Beatriz)


                                                                       PROF. JAMIL JUNIOR


LITERATURA:

                        O BARROCO NO BRASIL
            O tempo Barroco denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos anos 1600 / 1601 e início dos anos 1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e arquitetura da época.
            Mesmo considerando o Barroco o primeiro estilo de época da literatura brasileira e Gregório de Matos o primeiro poeta efetivamente brasileiro, com sentimento nativista manifesto, na realidade ainda não se pode isolar a Colônia da Metrópole. Ou, como afirma Alfredo Bosi: "No Brasil houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Frei Itaparica e as primeiras academias repetiram motivos e formas do barroquismo ibérico e italiano". Além disso, os dois principais autores - Pe. Antônio Vieira e Gregório de Matos - tiveram suas vidas divididas entre Portugal e Brasil. Por essas razões, neste capítulo não separaremos as manifestações barrocas de Portugal e do Brasil.
            Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano. O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, já em pleno governo do Marquês de Pombal, aberto aos novos ares da ideologia liberal burguesa iluminista, que caracterizará a segunda metade do século XVIII.
            No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira, que introduz definitivamente o modelo da poesia camoniana em nossa literatura. Estende-se por todo o século XVII e início do século XVIII. O final do Barroco brasileiro só se concretizou em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina e com a publicação do livro Obras, de Cláudio Manuel da Costa. No entanto, já a partir de 1724, com a fundação da Academia Brasílica dos Esquecidos, o movimento academicista ganhava corpo, assinalando a decadência dos valores defendidos pelo Barroso e a ascensão do movimento árcade.
MOMENTO HISTÓRICO
            Se o início do século XVI, notadamente seus primeiros 25 anos, pode ser considerado o período áureo de Portugal, não é menos verdade que os 25 últimos anos desse mesmo século podem ser considerados o período mais negro de sua história.
            O comércio e a expansão do império ultramarino levaram Portugal a conhecer uma grandeza aparente. Ao mesmo tempo que Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era abandonada. As colônias, principalmente o Brasil, não deram a Portugal riquezas imediatas; com a decadência do comércio das especiarias orientais observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive uma crise dinástica: em 1578, levando adiante o sonho megalomaníaco de transformar Portugal novamente num grande império, D. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir, na África; dois anos depois, Filipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica - tal situação permaneceria até 1640, quando ocorre a Restauração (Portugal recupera sua autonomia).
            A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam em Portugal o mito do Sebastianismo (crença segundo a qual D. Sebastião voltaria e transformaria Portugal no Quinto Império). O mais ilustre sebastianista foi sem dúvida o Pe. Antônio Vieira, que aproveitou a crença surgida nas "trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra.
            A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio dos jesuítas e a censura eclesiástica torna-se um obstáculo a qualquer avanço no campo científico-cultural. Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo científico, com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon, Galileu, Kepler e Newton, a Península Ibérica era um reduto da cultura medieval.
            Com o Concílio de Trento (1545-1563), o Cristianismo se divide. De um lado os estados protestantes (seguidores de Lutero - introdutor da Reforma) que propagavam o "espírito científico", o racionalismo clássico, a liberdade de expressão e pensamento. De outro, os redutos católicos (a Contra-Reforma) que seguiam uma mentalidade mais estreita, marcada pela Inquisição (na verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval.
            É nesse clima que se desenvolve a estética barroca, notadamente nos anos que se seguem ao domínio espanhol, já que a Espanha é o principal foco irradiador do novo estilo.
            O quadro brasileiro se completa, no século XVII, com a presença cada vez mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em consequência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar.
CARACTERÍSTICAS
            O estilo barroco nasceu da crise de valores renascentistas ocasionada pelas lutas religiosas e pela crise econômica vivida em consequência da falência do comércio com o Oriente. O homem do Seiscentismo vivia um estado de tensão e desequilíbrio, do qual tentou evadir-se pelo culto exagerado da forma, sobrecarregando a poesia de figuras, como a metáfora, a antítese, a hipérbole e a alegoria.
            Todo o rebuscamento que aflora na arte barroca é reflexo do dilema, do conflito entre o terreno e o celestial, o homem e Deus (antropocentrismo e teocentrismo), o pecado e o perdão, a religiosidade medieval e o paganismo renascentista, o material e o espiritual, que tanto atormenta o homem do século XVII. A arte assume, assim, uma tendência sensualista, caracterizada pela busca do detalhe num exagerado rebuscamento formal.
            Podemos notar dois estilos no Barroco literário: o Cultismo e o Conceptismo.
·                  CULTISMO: é caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante (hipérboles), descritiva; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras (ludismo verbal), com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora; daí o estilo ser também conhecido por Gongorismo. No cultismo valoriza-se o "como dizer".
·                  CONCEPTISMO: é marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada (arte de bem falar, ou escrever, com o propósito de convencer; oratória). Um dos principais cultores do Conceptismo foi o espanhol Quevedo, de onde deriva o termo Quevedismo. Valoriza-se, neste estilo, "o que dizer".
Na literatura, as características principais são:
·                  Culto do contraste: o poeta barroco se sente dividido, confuso. A obra é marcada pelo dualismo: carne X espírito, vida X morte, luz X sombra, racional X místico. Por isso, o emprego de antíteses.
·                  Pessimismo: devido a tensão (dualidade), o poeta Barroco não tinha nenhuma perspectiva diante da vida.
·                  Literatura Moralista: a literatura tornou-se um importante instrumento para educar e para "pregar" por parte dos religiosos (padres).


                                                                       PROF. JAMIL JUNIOR

"THE LITTLE PRINCE AND THE FOX"

                           
Then the fox appeared.
“Good morning”, said the the fox.
“Good morning”, the Little Prince responded politely. “Who are you? You are very pretty to look at.”
"I am a fox," said the fox.
"Come and play with me," proposed the little prince. "I am so unhappy."
"I cannot play with you," the fox said. "I am not tamed."
"I am looking for friends. What does that mean-- 'tame'?"
"It is an act too often neglected," said the fox. "It means to establish ties.”
"'To establish ties'?"
"Just that," said the fox. "To me, you are still nothing more than a little boy who is just like a hundred thousand other little boys. And I have no need of you. And you, on your part, have
no need of me. To you, I am nothing more than a fox like a hundred thousand other foxes. But if you tame me, then we shall need each other. To me, you will be unique in all the
world. To you, I shall be unique in all the world..."
"I am beginning to understand," said the little prince. "There is a flower... I think that she
has tamed me..."
The fox gazed at the little prince, for a long time.
"Please - tame me!" he said.
"I want to, very much," the little prince replied. "But I have not much time. I have friends to discover, and a great many things to understand."
"One only understands the things that one tames," said the fox. "Men have no more time to understand anything. They buy things all ready made at the shops. But there is no shop
anywhere where one can buy friendship, and so men have no friends any more. If you want a friend, tame me..."
So the little prince tamed the fox. And when the hour of his departure drew near -
"Ah," said the fox, "I shall cry."
"It is your own fault," said the little prince. "I never wished you any sort of harm; but you
wanted me to tame you..."
"Yes, that is so," said the fox.
"But now you are going to cry!" said the little prince.
"Yes, that is so," said the fox.
"Then it has done you no good at all!"
"It has done me good," said the fox.
And then he added:
"Go and look again at the roses. You will understand now that yours is unique in all the
world. Then come back to say goodbye to me, and I will make you a present of a secret."
The little prince went away, to look again at the roses.
"You are not at all like my rose," he said. "As yet you are nothing. No one has tamed you,
and you have tamed no one. You are like my fox when I first knew him. He was only a fox
like a hundred thousand other foxes. But I have made him my friend, and now he is unique in all the world."And the roses were very much embarrassed.
"You are beautiful, but you are empty," he went on. "One could not die for you. To be sure, an ordinary passerby would think that my rose looked just like you-- the rose that belongs
to me. But in herself alone she is more important than all the hundreds of you other roses: because it is she that I have watered; because it is she that I have put under the glass
globe; because it is she that I have sheltered behind the screen; because it is for her that I have killed the caterpillars (except the two or three that we saved to become butterflies);
because it is she that I have listened to, when she grumbled, or boasted, or ever sometimes when she said nothing. Because she is my rose."
And he went back to meet the fox.
"Goodbye," he said.
"Goodbye," said the fox. "And now here is my secret, a very simple secret: It is only with the
heart that one can see rightly; what is essential is invisible to the eye."
 "What is essential is invisible to the eye," the little prince repeated, so that he would be sure to remember.
"It is the time you have wasted for your rose that makes your rose so important."
"It is the time I have wasted for my rose--" said the little prince, so that he would be sure to remember.
"Men have forgotten this truth," said the fox. "But you must not forget it. You become responsible, forever, for what you have tamed. You are responsible for your rose..." "I am responsible for my rose," the little prince repeated, so that he would be sure to remember.


                                        ( ADAPTED FROM THE LITTLE PRINCE,
                                                           BY ANTOINE DE SAINT – EXUPÉRY )


                                                         PROF. JAMIL JUNIOR

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O MODERNISMO NO BRASIL

LITERATURA: MODERNISMO NO BRASIL

                                               Modernismo no Brasil  
                                                           Definição
            O modernismo no Brasil tem como marco simbólico a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, no ano de 1922, considerada um divisor de águas na história da cultura brasileira. O evento - organizado por um grupo de intelectuais e artistas por ocasião do Centenário da Independência - declara o rompimento com o tradicionalismo cultural associado às correntes literárias e artísticas anteriores: o parnasianismo, o simbolismo e a arte acadêmica. A defesa de um novo ponto de vista estético e o compromisso com a independência cultural do país fazem do modernismo sinônimo de "estilo novo", diretamente associado à produção realizada sob a influência de 1922. Heitor Villa-Lobos na música; Mário de Andrade e Oswald de Andrade, na literatura; Victor Brecheret, na escultura; Anita Malfatti e Di Cavalcanti, na pintura, são alguns dos participantes da Semana, realçando sua abrangência e heterogeneidade. Os estudiosos tendem a considerar o período de 1922 a 1930, como a fase em que se evidencia um compromisso primeiro dos artistas com a renovação estética, beneficiada pelo contato estreito com as vanguardas européias (cubismo, futurismo, surrealismo etc.). Tal esforço de redefinição da linguagem artística se articula a um forte interesse pelas questões nacionais, que ganham acento destacado a partir da década de 1930, quando os ideais de 1922 se difundem e se normalizam. Ainda que o modernismo no Brasil deva ser pensado a partir de suas expressões múltiplas - no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco etc. - a Semana de Arte Moderna é um fenômeno eminentemente urbano e paulista, conectado ao crescimento de São Paulo na década de 1920, à industrialização, à migração maciça de estrangeiros e à urbanização.
            Apesar da força literária do grupo modernista, as artes plásticas estão na base do movimento. O impulso teria vindo da pintura, da atuação de Di Cavalcanti à frente da organização do evento, das esculturas de Brecheret e, sobretudo, da exposição de Anita Malfatti, em 1917. Os trabalhos de Anita desse período (O Homem Amarelo, a Estudante Russa, A Mulher de Cabelos Verdes, A Índia, A Boba, O Japonês etc.) apresentam um compromisso com os ensinamentos da arte moderna: a pincelada livre, a problematização da relação figura/fundo, o trato da luz sem o convencional claro-escuro. A obra de Di Cavalcanti segue outra direção. Autodidata, Di Cavalcanti trabalha como ilustrador e caricaturista. O traço simples e estilizado se tornará a marca de sua linguagem gráfica. A pintura, iniciada em 1917, não apresenta orientação definida. Suas obras revelam certo ecletismo, alternando o tom romântico e "penumbrista" (Boêmios, 1921) com as inspirações em Pablo Picasso, Georges Braque e Paul Cézanne, que o levam à geometrização da forma e à exploração da cor (Samba e Modelo no Atelier, ambas de 1925). Os contrastes cromáticos e os elementos ornamentais da pintura de Henri Matisse, por sua vez, estão na raiz de trabalhos como Mulher e Paisagem, 1931.     A formação italiana e a experiência francesa marcam as esculturas de Brecheret. Autor da maquete do Monumento às Bandeiras, 1920, e de 12 peças expostas na Semana (entre elas, Cabeça de Cristo, Daisy e Torso), Brecheret é o escultor do grupo modernista, comparado aos escultores franceses Auguste Rodin e Emile Antoine Bourdelle pelos críticos da época.
TARSILA DO AMARAL não esteve presente ao evento de 1922, o que não tira o seu lugar de grande expoente do modernismo brasileiro.   Aos temas nacionais, a pintora produz uma obra emblemática das preocupações do grupo modernista. Da pintura francesa, especialmente das "paisagens animadas" , Tarsila retira a imagem da máquina como ícone da sociedade industrial e moderna. As engrenagens produzem efeito estético preciso, fornecendo uma linguagem aos trabalhos: seus contornos, cores e planos modulados introduzem movimento às telas. A essa primeira fase "pau-brasil", caracterizada pelas paisagens nativas e figurações líricas, segue-se um curto período antropofágico, 1927-1929. A viagem à URSS, em 1931, está na origem de uma guinada social na obra de Tarsila (Operários, 1933), que coincide com a inflexão nacionalista do período, exemplarmente representada por Candido Portinari. Portinari pode ser tomado como expressão típica do modernismo de 1930. À pesquisa de temas nacionais e ao forte acento social e político dos trabalhos associam-se o cubismo de Picasso, formado no léxico expressionista alemão, aproxima-se dos modernistas em 1923, quando se instala no país. Parte de sua obra, ampla e diversificada, registra a paisagem e as figuras locais em sintonia com as preocupações modernistas.
O Modernismo no Brasil – 2ª fase
           
            A literatura quase sempre privilegia o romance quando quer retratar a realidade, analisando ou denunciando-a. O Brasil e o mundo viveram profundas crises nas décadas de 1930 e 40, nesse momento o romance brasileiro se destaca, pois se coloca a serviço da análise crítica da realidade. O quadro social, econômico e político que se verificava no Brasil e no mundo no início da década de 1930 – o nazifascismo, a crise da Bolsa de Nova Iorque, a crise cafeeira, o combate ao socialismo – exigia dos artistas uma nova postura diante da realidade, nova posição ideológica. Na prosa, foi evidente o interesse por temas nacionais, uma linguagem mais brasileira, com um enfoque mais direto dos fatos marcados pelo Realismo – Naturalismo do século XIX. O romance focou o regionalismo, principalmente o nordestino, onde problemas como a seca, a migração, os problemas do trabalhador rural, a miséria, a ignorância foram ressaltados. Além do regionalismo, destacaram-se também outras temáticas, surgiu o romance urbano e psicológico, o romance poético-metafísico e a narrativa surrealista. A poesia da 2ª fase modernista percorreu um caminho de amadurecimento. No aspecto formal, o verso livre foi o melhor recurso para exprimir sensibilidade do novo tempo, se caracteriza como uma poesia de questionamento: da existência humana, do sentimento de “estar-no-mundo”, inquietação social, religiosa, filosófica e amorosa.

Dentre os muitos poetas e escritores dessa fase destacamos:

NA PROSA:

- Graciliano Ramos
- Rachel de Queiros
- Jorge Amado
- José Lins do Rego
- Érico Veríssimo
- Dionélio Machado

NA POESIA:

- Carlos Drummond de Andrade
- Murilo Mendes
- Jorge de Lima
- Cecília Meireles
- Vinícius de Morais.