sábado, 3 de março de 2012

LITERATURA - "AUTO DA BARCA DO INFERNO" - GIL VICENTE

                                  
                                   AUTO DA BARCA DO INFERNO

(Gil Vicente)
            Auto da Barca do Inferno é um auto onde o barqueiro do inferno e o do céu esperam à margem os condenados e os agraciados. Os que morrem chegam e são acusados pelo Diabo e pelo Anjo, mas apenas o Anjo absolve. O primeiro a chegar é um Fidalgo, é seguido por um agiota, por um Parvo (bobo), por um sapateiro, por um frade, por uma cafetina, e um judeu, um juiz também vai, por um promotor, por um enforcado e por quatro cavaleiros. Um a um eles aproximam-se do Diabo, carregando o que na vida lhes pesou. Perguntam para onde vai a barca; ao saber que vai para o inferno ficam horrorizados e se dizem merecedores do Céu. Aproximam-se então do Anjo que os condena ao inferno por seus pecados.
            O Fidalgo, o Onzeneiro (agiota), o Sapateiro, o Frade (e sua amante), a Alcoviteira Brísida Vaz (cafetina e bruxa), o judeu, o Corregedor (juiz), o Procurador (promotor) e o enforcado são todos condenados ao inferno por seus pecados, que achavam pouco ou compensados por visitas a Igreja e esmolas. Apenas o Parvo é absolvido pelo Anjo. Os cavaleiros sequer são acusados, pois deram a vida pela Igreja.
            O texto do Auto é escrito em versos rimados, fundindo poesia e teatro, fazendo com que o texto, cheio de ironia, trocadilhos, metáforas e ritmo, flua naturalmente. Faz parte da trilogia dos Autos da Barca (do Inferno, do Purgatório, do Céu). Cada um dos personagens focalizados adentram a morte com seus instrumentos terrenos, são venais, inconscientes e por causa de seus pecados não atingem a Glória, a salvação eterna. Destaque deve ser feito à figura do Diabo, personagem vigorosa que conhece a arte de persuadir, é ágil no ataque, zomba, retruca, argumenta e penetra nas consciências humanas.
            Ao Diabo cabe denunciar os vícios e as fraquezas, sendo personagem mais importante na crítica que Gil Vicente tece de sua época.

quinta-feira, 1 de março de 2012

MUSIC: LETRA E TRADUÇÃO - "ADELE"

ADELE - “SOMEONE LIKE YOU”

I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you

Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah, yeah


ADELE – “ALGUÉM COMO VOCÊ" - TRADUÇÃO

Eu ouvi dizer que você está estabilizado
Que você encontrou uma garota e está casado agora
Eu ouvi dizer que os seus sonhos se realizaram
Acho que ela lhe deu coisas que eu não dei

Velho amigo, por que você está tão tímido?
Não é do seu feitio se refrear ou se esconder da luz
Eu odeio aparecer do nada sem ser convidada
Mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar

Eu tinha esperança de que você veria meu rosto
E que você se lembraria
De que pra mim não acabou

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você e dizer:
Às vezes o amor dura,
mas, às vezes, fere...

Você saberia como o tempo voa
Ontem foi o momento de nossas vidas
Nós nascemos e fomos criados numa neblina de verão
Unidos pela surpresa dos nossos dias de glória

Eu odeio aparecer do nada sem ser convidada
Mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar
Eu esperava que você veria meu rosto
E que você se lembraria
De que pra mim não acabou

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você e dizer:
Às vezes o amor dura,
mas, às vezes, fere...

Nada se compara, nenhuma preocupação ou cuidado
Arrependimentos e erros, são feitos de memórias
Quem poderia ter adivinhado o gosto amargo
Que isso teria?

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para você
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você e dizer:
Às vezes o amor dura,
mas, às vezes, fere...

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você e dizer:
Às vezes o amor dura,
mas, às vezes, fere...

                                                                       TEACHER: JAMIL JR / 2012.



domingo, 26 de fevereiro de 2012

MUSIC: LETRA E TRADUÇÃO - "ADELE"

ADELE - “SOMEONE LIKE YOU”

I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you

Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah, yeah


ADELE – “ALGUÉM COMO VOCÊ" - TRADUÇÃO

Eu ouvi dizer que você está estabilizado
Que você encontrou uma garota e está casado agora
Eu ouvi dizer que os seus sonhos se realizaram
Acho que ela lhe deu coisas que eu não dei

Velho amigo, por que você está tão tímido?
Não é do seu feitio se refrear ou se esconder da luz
Eu odeio aparecer do nada sem ser convidada
Mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar

Eu tinha esperança de que você veria meu rosto
E que você se lembraria
De que pra mim não acabou

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você e dizer:
Às vezes o amor dura,
mas, às vezes, fere...

Você saberia como o tempo voa
Ontem foi o momento de nossas vidas
Nós nascemos e fomos criados numa neblina de verão
Unidos pela surpresa dos nossos dias de glória

Eu odeio aparecer do nada sem ser convidada
Mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar
Eu esperava que você veria meu rosto
E que você se lembraria
De que pra mim não acabou

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você e dizer:
Às vezes o amor dura,
mas, às vezes, fere...

Nada se compara, nenhuma preocupação ou cuidado
Arrependimentos e erros, são feitos de memórias
Quem poderia ter adivinhado o gosto amargo
Que isso teria?

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para você
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você e dizer:
Às vezes o amor dura,
mas, às vezes, fere...

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você e dizer:
Às vezes o amor dura,
mas, às vezes, fere...



                                                          
                                                                       TEACHER: JAMIL JR / 2012.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

LITERATURA - ESCOLAS LITERÁRIAS

ESCOLAS LITERÁRIAS

QUINHENTISMO


Foi o primeiro movimento literário no Brasil. Em relação aos demais, sua importância é um tanto quanto menos expressiva na literatura, por não apresentar nenhum escritor brasileiro; ou, ainda, nenhum "escritor". Apesar disso, muitos dos maiores vestibulares do país pedem que seus vestibulandos tenham conhecimento desta matéria. Além disso, serve também como conhecimento geral para aqueles que gostam do assunto. O movimento iniciou-se com o "início" do Brasil (sim, eu sei. O Brasil existia antes do descobrimento, mas para a literatura, assim como para muitas outras coisas, sua história começa quando os portugueses chegam ao país). Seu fim foi marcado pela publicação de Prosopopeia, de Bento Teixeira, que já tinha algumas tendências barrocas.
O Descobrimento das Américas marca, antes de mais nada, a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. A Europa vive o auge do Renascimento, o capitalismo mercantil toma o lugar dos feudos, e o êxodo rural provoca o início da urbanização. Houve também, neste período, uma crise na Igreja: o novo grupo dos protestantes contra o grupo dos fiéis católicos (estes últimos no movimento da Contra-Reforma). Durante a maioria deste período, o Brasil era colonizado por Portugal. Os documentos eram escritos por jesuítas e colonizadores portugueses; o primeiro autor brasileiro apareceria, mais tarde, somente no movimento barroco, Gregório de Matos. 

BARROCO

- O Barroco representa todas as formas de arte cultivadas neste período, como a música, a pintura, a arquitetura, e a literatura. Apesar deste movimento contar com o primeiro autor brasileiro em nossa literatura, sua influência é quase totalmente portuguesa e espanhola, deixando pouco espaço para o Brasil. O movimento iniciou-se em 1601, com a publicação de Prosopopéia, de Bento Teixeira. O final deste movimento dá-se em 1724, com a obra Obras, de Cláudio Manuel da Costa, e com a fundação da Arcádia Ultramarina, que será comentada no Arcadismo.
O início do século XVI foi para Portugal o momento mais áureo de sua história até hoje; assim como os últimos foram os mais negros. Por uma lado o descobrimento do Brasil iria tornar Portugal o país mais rico do mundo. Mas em contraste, logo foi observado a crise do comércio português.
Suas colônias não produziram como era esperado. Além disso, em 1578, desaparece o rei Dom Sebastião em campanha pela África. Dois anos depois Filipe II, rei da Espanha, anexa Portugal a seu país, ato que durou quarenta anos. No Brasil, o período Barroco ficou marcado em especial pelas invasões holandesas e pelo declínio da venda da cana-de-açúcar, este segundo em consequência do primeiro. 

ARCADISMO

- Este período, também conhecido como Neoclassicismo (o Classissismo foi um movimento europeu que ocorreu antes de o Brasil ter sido descoberto. Seu principal autor foi Luís Vaz de Camões), iniciou-se em 1768, com a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa. Foi também o ano da fundação da Arcadia Ultramarina. Durou até 1836, quando foi publicado Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães. Este período foi, essencialmente, uma reação à religiosidade barroca. Sua influência é toda francesa, com seus movimentos iluministas que iriam estourar a Revolução Francesa.
Socialmente, este movimento marcou a acensão da burguesia em fatores políticos e sociais, tanto no Brasil como na Europa. Em 1748, Montesquieu escreve e publica O espírito das Leis, obra na qual apresenta o governo em poder legislativo, executivo, e judiciário; como é feito hoje em vários países, como o Brasil. Voltaire e Rousseau colaboraram também neste sentido, defendendo a burguesia e a república. Todos esses autores foram responsáveis pelo início do Iluminismo, um dos ideais árcades. Foi também neste período que iniciou-se a independência dos países americanos, começando pelos Estados Unidos, em 1776. No Brasil, o centro comercial deixa o Nordeste e se instala principalmente em Minas Gerais. Ocorre também a Inconfidência Mineira, principal fato histórico brasileiro da época. Alguns dos autores deste período fizeram até parte deste movimento revolucionário. 

ROMANTISMO

- O Romantismo foi um movimento com origem inglesa e alemã, sendo contra o Arcadismo. Este estilo inicia-se em 1836, com a publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães. Foi portanto um movimento que ocorreu logo após a Independência do Brasil, e, por alguns autores, por causa desta independência. Logo após a independência, os brasileiros precisavam buscar sua importância na situação econômica, política, social e cultural (daí a literatura). O ano tradicional do desfecho romântico é o de 1881, com duas publicações: O mulato e Memórias póstumas de Brás Cubas, ambas com tendências naturalistas/realistas.

Neste período ocorreu pelo mundo duas importantes revoluções: a Revolução Francesa, e a Revolução Americana. Essas foram revoltas do povo, da burguesia; assim como o Romantismo, que, com o Realismo - A principal influência para este movimento no Brasil veio da Alemanha, representada pelo evolucionismo e pelo positivismo. O movimento começou em 1881, ano em que foi publicado O mulato, de Aluísio Azevedo, e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. O fim deste período literário apresenta certa controvérsia; tradicionalmente finalizamos este movimento com o início do simbolismo, 1893. Apesar disso, pode-se dizer que este não foi realmente o fim do realismo.
Basta lembrar a data de publicação de Dom Casmurro, ainda com perfeitas características realistas: 1900. Ou a fundação da Academia Brasileira de Letras, casa do realismo: 1897. Portanto pode-se dizer que o realismo durou, como o Simbolismo, o Parnasianismo e o Pré-Modernismo, até 1922, ano em que ocorreu a semana da arte moderna. Nesse período a Revolução Industrial, na Europa, entra na fase da utilização do aço, do petróleo e da eletricidade, enquanto o avanço científico realiza novas descobertas e invenções no campo da Física e da Química.
      Surge então grandes complexos industriais, nos quais              vários empregados trabalham diariamente em condições          sub-humanas, correndo sempre risco de vida a graves          acidentes. No Brasil, este período é marcado pelas           campanhas abolicionistas, a Lei Áurea, a substituição  da mão de obra escrava pela mão de obra assalariada,    a Guerra do Paraguai, e a monarquia decadente de   D.      PedroII forme um historiador, foi "da burguesia, pela       burguesia, e para a burguesia". No Brasil, este               movimento surgiu alguns anos após a Independência do         Brasil, no governo autoritário de D. Pedro I, no            Período Regencial, e no governo de D. Pedro II.

PARNASIANISMO

- O movimento parnasiano surgiu na França em 1866, com a edição da antologia “La Parnase Contemporain". Abrigando poetas de tendências diversas, como Théopgille Gauthier, Laconte de Lísia, Charles Baudelaire, Geradia, Banvilla, havia, em comum a oposição ao sentimentalismo romântico.
A denominação Parnasianismo remete-nos à antiguidade grecoromana(Monte Parnaso= região da Fócida , na Grécia, que a Mitologia contemplava como a morada dos deuses e poetas, ali isolados do mundo para dedicarem-se exclusivamente à arte).
Isso sugere a aproximação às fibtes e ais udeaus ck;assucis da arte.( o Belo , o Bem, a Verdade , a Perfeição , o equilíbrio a disciplina e o rigor formal, a obediência às regras e modelos , a arte como imitação da natureza - a Mimese arestotélica, a razão, o antropocentrismo) São frequentes as alegorias fundadas na Mitologia e na História da Grécia e de Roma. "O Sonho de Marco Antônio" , "A Seste de Beri", "O treiunfo de Afrondite" "O Incêndio de Roma" "A tentação de Xenôcrates" "O Julgamento de Frinéia" . "Delencia Cartago" todos de Olavo Bilac, "O vaso Grego” e "A volta da Galera" de Alberti de Oliveira.
Antecedentes Brasileiros - Em 1878 desfere-se pelas páginas do 'Diário do Rio de Janeiro a "Batalha do Parnaso” polêmica em versos agressivos (e de má qualidade)
, entre os defensores de "Idéia Nova" e os epígonos do Romantismo.
Influenciados pela Questão Coimbrã, e pelas obras dos poetas realistas portugueses: Teófilo Braga - "Visão dos Tempos" e "Antero de Quental" - "Odes Modernas", os arautos da "Idéia Nova" combariam os "Abreus e Varelas" Opondo-se ao sentimentalismo piegas e à frouxidão dos versos dos últimos românticos, e propunham algumas atitudes:
1) a poesia participante, que pregasse a justiça, a república fraternal, o progresso científico e material atacando, algumas vezes de forma desabrida , as instituições, é o caso de Lúcio de Mendonça, Martins Júnior e Silvio Romero.
2 ) a poesia "realista" . com abandono dos eufernismos relativos ao amor, por uma descrição mais direta do corpo e dos desejos e , ainda, a poesia realista urbana e agreste: seguem nessa direção: Carvalho Júnior, Bernardino Lopes e Teófilo Dias.
Cabe observar que os sonhos de justiça e a república fraternal já haviam encontrado em Castro Alves, no último romantismo, uma expressão muito mais talentosa, convincente e eloquente.
2.3 Costuma-se considerar como o primeiro livro parnasiano, no sentido próprio, as " Fanfarras", de Teófilo Dias. O Parnasianismo, tal como hoje o concebermos, só se definiria com Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que constituiram a Trindade Parnasiana, e realizaram suas obras sob os princípios d a "arte pela arte" da impassibilidade e da perfeição formal, ainda que tivessem , todos eles, estreado com versos românticos.
Características
A arte pela Arte.
O Esteticismo
Sintetizada na forma latina "ars gratia artis"(arte pela arte) , a poesia parnasiana propõe que a a beleza formal justifica a existência do poema , e que a arte não deve Ter outros compromissos senão para com o belo, para com a perfeição formal.
Negando a poesia realista filosófico-científica e socialista de seus precursores, os parnasianos impõem uma atitude de distanciamento do cotidiano de alienação dos problemas do mundo, de desprezo pela plebe e pelas aspirações populares e de recusa aos temas vulgares.
Assim os parnasianos se fecham em suas torres de marfim, entregues ao puro fazer poético:
"Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Doo claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima , e lima , e sofre, e sua!"
("A um Poeta - Bilac)

SIMBOLISMO

O Simbolismo teve início no ano de 1893, e manteve suas influências sobre autores até a Semana da Arte Moderna. Este movimento, apesar de não ser uma manifestação realista, como o Parnasianismo, manteve-se paralela a este o tempo todo. Em 1893, foram publicados Missal e Broquéis, ambos de Cruz e Sousa. Este período foi marcado pela I Guerra Mundial (1914-1918)e pela Revolução Russa. Houve também a unificação da Alemanha (1870) e da Itália (1871) momentos antes do início do movimento.
A Europa inteira passa por um processo de industrialização, aumentando a disputa por mercado. Este é o início do neocolonialismo. Este pensamento materialista de produção, com pouca preocupação com o bem-estar dos trabalhadores urbanos, gera críticas dos simbolistas. O Brasil não apresentou nenhum grande acontecimento durante esta época, apesar de haver várias revoltas no sul do país, onde o movimento foi mais acentuado. Duas delas se destacam:
A Revolução Federalista (1893-1895)e a Revolta da Armada (1893-1894). A primeira foi uma revolta de oposição ao governo de Floriano Peixoto, que gerou muitas mortes no sul do país. A outra foi quando a marinha brasileira ancorou seus navios no litoral carioca, e apontou seus canhões para o palácio do governo, exigindo sua renúncia. Estes acontecimentos levam à desilusão, a descrença na vontade de viver, que são visões simbolistas. Isto fez com que as idéias filosóficas se desviassem do materialismo para o simbolismo. Pré Modernismo - O termo Pré-Modernismo foi criado por Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Ataíde) para designar o período cultural brasileiro que vai do princípio deste século à Semana de Arte Moderna, ou como quer a cronologia literária, de 1902, ano da publicação de Canaã, de Graça Aranha e de Os Sertões, de Euclides da Cunha, até 1922, ano da realização da Semana de Arte Moderna.
Corresponde à "belle époque" brasileira, marcada pela concomitância de diversas correntes, às vezes opostas: o parnasianismo residual ( Raimundo Correia, Bilac, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho ainda estavam vivos e escreviam) ; o neo -parnasianismo de Amadeu Amaral e Martins Fontes e a prosa tradicionalista de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e Coelho Neto ; o Simbolismo , que não logrou penetração nas elites cultas da época e nem nas camadas populares; o realismo-naturalismo, transfundido na prosa regionalista de Afonso Arinos, Simões Lopes Neto, Valdomiro Silveira e Hugo de Carvalho Ramos; e a literatura problematizadora da realidade brasileira que é mais característicamente Pré-Modernista - Euclides da Cunha , Lima Barreto, Coelho Neto e Graça Aranha.
Assim esquematizando, no período que vamos estudar, convivem tendências conservadoras e renovadoras.
O aspecto conservador está diretamente ligado à sobrevivência da mentalidade positivista, agnóstica e liberal que se expressava no estilo realista-naturalista não penetrou, senão superficialmente, no espírito das classes cultas. Otto Maria Carpeaux deixa claro que " Aqui e só aqui fracassou o Simbolismo; e por isso , o movimento poético precedente sobreviveu, quando já estava extinto em toda parte do mundo".
O aspecto renovador está na incorporação, do ponto de vista do conteúdo, de aspectos da realidade brasileira, refletindo situações históricas novas, ou só a partir de então consideradas:
·   ·   a miséria e o subdesenvolvimento nordestino, em Euclídes da Cunha;
·   ·   a vida urbana e as transformações do inicio do século ( as greves, o futebol, o arranha -céu, o jogo do bicho, os pingentes da Estrada de Ferro Central do Brasil, o subúrbio carioca), em Lima Barreto;
·   ·   a miséria do caboclo do Vale do Paraíba, a decadência da ci;tira cafeeira, o anacronismo das práticas agrícolas, em Monteiro Lobato, e
·   ·   a imigração alemã no Espírito Santo, em Graça Aranha.
Assim, pode-se dizer que o aspecto conservador (o PRÉ) localiza-se mais no código, na linguagem que, com algumas poucas ousadias, continuou fiel aos modelos realistas e naturalistas (Aluísio Azevedo, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Flaubert, Emile Zola, Balsac); ressuscitando até o barroco do Padre Antônio Vieira, perceptível em Rui Barbosa, e Euclides da Cunha.
O aspecto renovador (o MODERNISMO) está centrado na preocupação com a realidade nacional; no regionalismo crítico e vigoroso e na crítica às instituições arcaicas da República Velha. Algumas dessas características serão retomadas, especialmente na 2ª Geração modernista.
Esta época, no que tange à literatura oficial, acadêmica, reflete o gosto da classe dominante, expressando-se de firna oedabte e artificial, pouco inovadora. Este aspecto de "estagnação" é batizado como a época dos "NEOS”: neoparsianismo, neo-simbolismo, e até neoclássicos e neo-românticos reabilitaram-se no gosto literário de então.

MODERNISMO

Este período é conhecido pelo caráter revolucinário, criticando cruelmente parnasianos, e simbolistas. A literatura procura se expressar de forma livre, espontânea, fugindo de todas as normas possíveis, ao contrário do parnasianismo. Sua origem é, como sempre, européia. A busca pelo moderno e inovador é a principal marca deste período.
O período inicia-se com a Semana da Arte Moderna, em fevereiro de 1922, e vai até 1945, fim da ditadura de Getúlio Vargas e da II Guerra Mundial. Este movimento é dividido em dois períodos: 1922-1930, e 1930-1945. 

O CONTEXTO HISTÓRICO

Vale observar que diversidade regional fez com que a manifestações políticas e sociais da época expressassem níveis de consciência muito distintos, não raro parecento exprimir tensões meramente locais. Alguns acontecimentos que configuram este quadro:
A. A.NO NORDESTE
·   ·   a Revolução de Canudos (BA - 1896 - 1897), retratada por Euclídes da Cunha;
·   ·   o fenômeno do cangaço, decorrente do declínio da economia dos engenhos;
·   ·   o fanatismo religioso desencadeado pelo “Padim Ciço", que tem por apicentro o Ceará, entre 1911 a 1915.
A. A. NO RIO DE JANEIRO
·   ·   A revolta contra a vacina obrigatória (Oswaldo Cruz), 1904, expressiva da insatisfação das massas urbanas;
·   ·   A revolta da Chibata (1910) liderada por João Cândido, “O Almirante Negro". Os marinheiros amotinados exigiam a extinção dos castigos corporais na Marinha.
A. A. EM SANTA CATARINA
PÓS MODERNISMO

O Pós-Modernismo é o movimento em que nos encontramos hoje. Na verdade, tudo que foi produzido após o Modernismo é considerado trabalho pós-modernista. Talvez no futuro este período seja redividido em vários períodos. Até que seja, o Pós-Modernismo apresenta duas fases. A primeira fase corresponde a uma fase mais "séria e equilibrada", como diz José de Nicola, do que as tendências modernistas, especialmente na poesia. A prosa vive um momento semelhante à prosa modernista.

NA SEGUNDA FASE surgem duas tendências na poesia: a poesia concreta e a poesia-máxis; veremos estas tendências mais tarde. Com o final da II Guerra Mundial e o bombardeamento norte-americano ao Japão, começa a era da Guerra Fria. Constrói-se o Muro de Berlin, a OTAN, a COMECON, etc... A queda do muro marcou o final da Guerra Fria.

·   ·   A Guerra do Contestado (1912 -1916) envolvendo posseiros da região contestada entre Santa Catarina e Paraná, às margens do rio do Peixe.
Cabe ainda acrescentar a Campanha Civilista, a queda da Amazônia durante o ciclo da borracha, seguida de fulminante queda.

                                                                                  PROF. JAMIL - 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

LITERATURA

                                      QUINHENTISMO NO BRASIL

            O Quinhentismo, fase da literatura brasileira do século XVI, tem este nome pelo fato das manifestações literárias se iniciarem no ano de 1.500, época da colonização portuguesa no Brasil. A literatura brasileira, na verdade, ainda não tinha sua identidade, a qual foi sendo formada sob a influência da literatura portuguesa e européia em geral. Logo, não havia produção literária ligada diretamente ao povo brasileiro, mas sim obras no Brasil que davam significação aos europeus. No entanto, com o passar dos anos, as literaturas informativa e dos jesuítas, foi dando lugar a denotações da visão dos artistas brasileiros.
            Na época da colonização brasileira, a Europa vivia seu apogeu no Renascimento, o comércio se despontava, enquanto o êxodo rural provocava um surto de urbanização. Enquanto o homem europeu se dividia entre a conquista material e a espiritual (Contra-reformas), o cidadão brasileiro encontrava no Quinhentismo semelhante dicotomia: a literatura informativa, que se voltava para assuntos de natureza material (ouro, prata, ferro, madeira) feita através de cartas dos viajantes ou dos cronistas e a literatura dos jesuítas, que tentavam inserir a catequese.
            A carta de Pero Vaz de Caminha traz a referida dicotomia claramente expressa, pois valoriza as conquistas e aventuras marítimas (literatura informativa) ao mesmo tempo que a expansão do cristianismo (literatura jesuíta). A literatura dos jesuítas tinha como objetivo principal o da catequese. Este trabalho de catequizar norteou as produções literárias na poesia de devoção e no teatro inspirado nas passagens bíblicas.
            José de Anchieta é o principal autor jesuíta da época do Quinhentismo, viveu entre os índios, pelos quais era chamado de piahy, que significa “supremo pajé branco”. Foi o autor da primeira gramática do tupi-guarani e também de várias poesias de devoção.


CONTEXTO HISTÓRICO
            Depois de 1500, o Brasil ficou praticamente isolado da política colonialista portuguesa. Nenhuma riqueza se oferecia aqui às necessidades mercantilistas da época. Só depois de 30 anos da descoberta é que a exploração começou a ser feita de forma sistemática e assim mesmo, de maneira bastante lenta e gradativa.
            O primeiro produto que atraiu a atenção dos portugueses para a nova terra foi o pau-brasil, uma madeira da qual se extraia uma tinta vermelha que tinha razoável mercado na Europa. Para sua exploração, não movimentaram grande volume de capital, cuidado que a monarquia lusitana, sempre em estado de falência, precisava tomar. Nada de vilas ou cidades, apenas algumas fortificações precárias, para proteção da costa. Esse quadro sofreria modificações profundas ao longo do século XVI.
            Sem o estabelecimento de uma vida social mais ou menos organizada, a vida cultural sofreria de escassez e descontinuidade. A crítica literária costuma periodiza o início da história da literatura brasileira com o Barroso, em 1601. Como se vê, já no século XVII. Assim, uma pergunta se impõe: o que aconteceu no Brasil entre 1500 e 1600, no âmbito da arte literária.
            Esse período, denominado de "Quinhentismo”, apesar de não ter apresentado nenhum estilo literário articulado e desenvolvido, mostrou algumas manifestações que merecem consideração. Podemos destacar duas tendências literárias dentro do Quinhentismo brasileiro: a Literatura de Informação e a Literatura dos Jesuítas.
            Quinhentismo corresponde à época do descobrimento do Brasil. É um movimento paralelo ao Classicismo português e possui idéias relacionadas ao Renascimento. A literatura do Quinhentismo tem como tema central os próprios objetivos da expansão marítima: a conquista material e a conquista espiritual. Possui uma linguagem simples e muitos adjetivos.

                                      A LITERATURA DE INFORMAÇÃO
            Durante o século XVI, sobretudo a partir da 2ª Metade, as terras então recém-descobertas despertaram muito interesse nos europeus. Entre os comerciantes e militares, havia aqueles que vinham para conhecer e dar notícias sobre essas novas terras, como o escrivão Pero Vaz de Caminha, que acompanhou a expedição de Pedro Álvares Cabral, em 1500.
            Os textos produzidos eram, de modo geral, ufanistas, exagerando as qualidades da terra, as possibilidades de negócios e a facilidade de enriquecimento. Alguns mais realistas deixavam transparecer as enormes dificuldades locais, como locomoção, transporte, comunicação e orientação.
            O envolvimento emocional dos autores com os aspectos sociais e humanos da nova terra era praticamente nulo. E nem podia ser diferente, uma vez que esses autores não tinham qualquer conhecimento sobre a cultura dos povos silvícolas. Parece ser inclusive exagerado considerar tais textos como produções literárias, mas a tradição crítica consagrou assim.
            Seguem alguns trechos da famosa Carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao Rei D. Manuel de Portugal, por ocasião da descoberta do Brasil
            "E neste dia, à hora de véspera, houvemos vista de terra, isto é principalmente d'um grande monte, mui alto e redondo, e d'outras serras mais baixas a sul dele de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à Terra de Vera Cruz.
            A feição deles é serem pardos, maneira d'avermelhados, de bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto.
            Os outros dois, que o capitão teve nas naus, a quem deu o que já dito é, nunca aqui mais apareceram, de que tiro ser gente bestial e de pouco saber e por isso assim esquivo. Eles, porém, com tudo, andam muito bem  curados e muito limpos e naquilo me aprece ainda mais que são como aves ou alimárias monteses que lhes faz o ar melhor pena e melhor cabelo que às mansas, porque os corpos seus são tão limpos e tão gordos e tão formosos, que não pode mais ser. E isto me fez presumir que não têm casas em moradas em que se acolham. E o ar, a que se criam, os faz tais.
                                   A LITERATURA DOS JESUÍTAS
            A título de catequizar o "gentio” e, mais tarde, a serviço da Contra-Reforma Católica, os jesuítas logo cedo se fizeram presentes em terras brasileiras. Marcaram essa presença não só pelo trabalho de aculturação indígena, mas também através da produção literária, constituída de poesias de fundamentação religiosa, intelectualmente despojadas, simples no vocabulário fácil e ingênuo.
            Também através do teatro, catequizador e por isso mesmo pedagógico, os jesuítas realizaram seu trabalho. As peças, escritas em medida velha, mesclam dogmas católicos com usos indígenas para que , gradativamente , verdades cristãs fossem sendo inseridas e assimiladas pelos índios . O autor mais importante dessa atividade é o Padre José de Anchieta. Além de autor dramático, foi também poeta e pesquisador da cultura indígena, chegando a escrever um dicionário da língua tupi-guarani.
            Em suas peças, Anchieta explorava o tema religioso, quase sempre opondo os demônios indígenas, que colocavam as aldeias em perigo, aos santos católicos, que vinham salvá-las. Vejamos um trecho de uma de suas peças mais conhecidas, o Autor de São Lourenço.
            Durante o século XVI a literatura portuguesa se espelhava nos clássicos: Virgílio, Homero; no Brasil não haviam sequer muitas pessoas que soubessem ler. A maioria das obras escritas no Brasil na época não foram feitas por brasileiros, mas sobre o Brasil por visitantes. Elas são chamadas Literatura de Informação. Apenas dois autores da época podem ser considerados autores brasileiros: Bento Teixeira, o primeiro poeta do Brasil, e José de Anchieta, iniciador do teatro brasileiro.
                                   Pero Vaz de Caminha
            Pero Vaz de Caminha (1450? -1500) era o escrivão da esquadra de Pedro Álvares Cabral e o autor da "certidão de nascimento" do Brasil. Em 1499 Caminha foi nomeado escrivão da feitoria que Cabral fundaria nas Índias. Quando Cabral chegou "acidentalmente" no Brasil, foi Caminha que escreveu ao rei de Portugal relatando a "descoberta". Do Brasil Caminha partiu para a Índia, onde morreu no final do mesmo ano nas lutas entre portugueses e muçulmanos. A Carta de Caminha ficou inédita por cerca de 300 anos, mas quando foi publicada, em 1817, ajudou a esclarecer várias questões sobre o descobrimento.
            "Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!” Carta de Caminha.       
a) Os jesuítas instalados no Brasil eram agentes da Contra-Reforma. Por isso, a atividade principal dos padres era o trabalho de catequese.

b) Num trecho da Carta de Caminha, o autor solicita ao rei que envie gente para a terra recém-descoberta:
“Não deixe logo de vir clérigo para o batizar...”

c) Os jesuítas contribuíram para a destribalização dos indígenas, tentando incutir-lhes uma educação européia.

d) Pondo em primeiro plano a intenção pedagógica e moralizante, os textos que produziram têm caráter mais didático que artístico.

e) Nesta linha didática, está o Pe. Manuel da Nóbrega, com o seu Dialogo sobre a Conversão dos Gentios.

f) Em todo o século XVI, só uma figura transpôs a linha do meramente informativo e didático para incluir-se no plano artístico-literário: padre José de Anchieta.

            Nasceu no Porto, Portugal, por volta de 1437, de família burguesa.

            Escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, dirigiu a Dom Manuel, o Venturoso, no dia primeiro de maio de 1500, a Carta de Acha mento do Brasil. Estaria, nessa época, com uns cinqüenta anos, pois já tinha netos.

            Faleceu a 16 de dezembro de 1500, em combate na Índia, assassinado pelos mouros.

            Sua Carta possui valor histórico, mas tem também um certo nível literário.

            “Caminha resume em poucas palavras todo o cabedal espiritual e material desta gente (os índios), com uma penetração maravilhosa”. (Capistrano de Abreu)

             “Graças ao raro talento de observação, de que era dotado, graças, sobretudo à fácil ingenuidade do seu estilo, o Brasil teve um historiador no próprio dia do seu nascimento”. (Ferdinand Denis)
                                                                                                          
                                   Pero de Magalhães Gândavo                                                    
            Pero de Magalhães Gândavo (? - 1576?) foi um cronista que escreveu dois livros sobre o Brasil, sendo sua obra uma das melhores da Literatura de Informação. Professor de Latim, amigo de Camões (a quem dedicou uma de suas obras) e gramático, viveu algum tempo no Brasil e sobre o país escreveu Tratado da Terra do Brasil e História da Província Santa Cruz. Neles descreve a Geografia e a História das capitanias que visitou.
            "Quezera escrever mais miudamente das particularidades desta província do Brasil, mas porque satisfizesse a todos com brevidade guardei-me de ser comprido; posto que os louvores da terra pedissem outro livro mais copioso e de maior volume, onde se compreendessem por extenso as excelências e diversidades das cousas que ha nella pera remédio e proveito dos homens que la forem viver." Tratado da Terra do Brasil.
            "A causa principal que me obrigou a lançar mão da presente historia, e sair com ella a luz, foi por não haver atégora pessoa quea emprendesse, havendo já setenta e tantos annos que esta Provincia he descoberta. A qual historia creio que mais esteve sepultada em tanto silencio, pelo pouco caso que os portuguezes fizerão sempre da mesma provincia, que por faltarem na terra pessoas de engenho, e curiosas que per melhor estillo, e mais copiosamente que eu a escrevessem." História da Província Santa Cruz.
                                     Bento Teixeira
            Bento Teixeira (1560-1618) escreveu a primeira obra de literatura brasileira: Prosopopeia, inspirada em Os Lusíadas, quando tinha apenas 20 anos. Apesar de natural de Portugal, pode ser considerado um escritor brasileiro por que se mudou para cá ainda criança e escreveu no Brasil sobre o Brasil e para brasileiros.
                                      José de Anchieta
            O padre José de Anchieta (1534-1597) foi uma das grandes figuras do primeiro século de história do Brasil. Nascido nas Ilhas Canárias, domínio espanhol, tinha parentesco com Inácio de Loiola. De saúde frágil e dedicado aos estudos, Anchieta tornou-se jesuítas aos 17 anos de idade e naquele mesmo ano partiu para o Brasil. No Brasil Anchieta criou o teatro brasileiro: autos para a catequese dos índios. Também fez poesia em latim e escreveu tratados sobre o Brasil.
"Teme a Deus, juiz tremendo,
que em má hora te socorra,
em Jesus tão só vivendo,
pois deu sua vida morrendo
para que tua morte morra." Auto de São Lourenço
(Fonte: Profª. Beatriz)


                                                                       PROF. JAMIL JUNIOR